A imaturidade emocional de quem convive com alguém com transtornos psicológicos

A imaturidade emocional de quem convive com alguém com transtornos psicológicos

Depressão, ansiedade, Toc, Hiperatividade e tantos outros transtornos psicológicos foram banalizados pelas pessoas. São nomes que elas dizem da boca para fora e que parece ter virado moda dizer que tem, com uma desenvoltura tão ridícula que poderia ser um bate papo em um barzinho entre amigos.

“Ah, eu tenho um ‘toc’ com isso…”, “tenho depressão só de pensar…”, “fico ansioso(a) só de imaginar…”. Isso são apenas palavras da boca pra fora.

Conviver com estes transtornos, é um transtorno de verdade. Eu, por exemplo, tenho um com horário que é terrível! Se tenho que marcar algo para ir de um ponto ao outro, o planejamento tem que ser daquela maneira que estou pensando.

Um exemplo? Vou fazer uma viagem para uma cidade qualquer e utilizar o aplicativo de carona. Terei que ver com uma semana de antecedência a ida e a volta. Até aí, tudo ok, certo? Ninguém gosta de imprevistos e só estou sendo cauteloso. Não.

Na verdade quero chegar no horário programado e se não conseguir minha primeira opção que é o app de carona, não irei pensar que ainda posso usar um ônibus ou esperar até mais ou menos próximo da viagem para ver se consigo uma carona naquele horário.

Minha cabeça entra em parafuso ao ponto de não fazer outras coisas e dar preferência apenas para aquilo. E lógico, deixar quem está ao lado mais doida do que eu.

Por que estou escrevendo isso? Para duas coisas, uma para mostrar o que é um transtorno de verdade e a outra para compartilhar um pouco do que é conviver com uma pessoa que as tem em um grau maior do que a sua.

Não é fácil, vou ser bem franco e direto. É muito mais bonito e politicamente correto escrever que o amor a tudo ajuda e com palavras lindas e suaves consegue acalmar a outra pessoa. Ou que com um simples abraço tudo está resolvido.

Quisera. Isso só em filmes e livros.

Um dos principais erros é querer se colocar no lugar de quem qualquer tipo de transtorno. Dizendo que sabe o que ela sente, que já passou por isso, etc. Outro muito comum é ter a solução vinda do alinhamento planetário de areias do além da esfera da Guatemala. Isso mesmo, aquela do nada e sem sentido. Acha que você, conhecendo aquela pessoa há alguns minutos, já virou o Salvador?

O que funciona para um, não funciona para outros.

Aqui também existe outro grave problema, que é a família. Ela tenta tanto proteger, que acaba piorando ao afirmar que seu filho, filha, esposa, marido, seja lá o que for, tem o problema pior. Enquanto em uma conversa onde até pode encontrar uma ideia para ajuda, alguém da família irá dizer com unhas e dentes que seu familiar está abaixo de tudo o que é ajuda.

Não percebem tantos erros que cometemos ao conviver com pessoas com transtorno?

Eu confesso que estou embutido em vários dos erros acima. Muitas vezes, ao querer entender o problema que ela possui, falar em voz alta “como daquela pessoa que teve isso…”, acabo é comparando o problema dela. Mesmo que não seja a ideia, para quem está ali naquele momento apenas desabafando, piora a situação porque ao falar em voz alta, parei todo o pensamento dela.

Ela só queria desabafar.

Pode até parecer simples quando se escreve que todos deveriam agir de forma diferente. Mas ninguém age.

Do meu lado, confesso que também não é nada simples e tem horas que é complicado conversar e até mesmo fazer qualquer tipo de movimento com o corpo ou rosto. Porque na minha cabeça, tenho tanto medo de afugentar o que ela fala ou de dizer algo que irá ativar, que o corpo entrega o que não tinha e nem existia de motivo.

É estranho e errado. Porque daí eu crio uma realidade que não existia. E ela entra nesta realidade sem nem mesmo se dar conta. Acabo manipulando uma série de reações por minha culpa Não pela dela.

E o erro aqui está em pensar demais no bem estar dela, onde o mais fácil é apenas… viver com ela.

Não importa o quanto ache que está preparado para viver com alguém com algum transtorno, você nunca está. O que torna as coisas mais simples é a conversa.

Não é o deixar para lá ou não fazer algumas coisas que irá ativar a outra pessoa. Porque daí, você e até mesmo eu, não vamos viver.

É um passo de cada vez, uma nova descoberta a cada dia. E encontrar pessoas que vivem com outras que tenham algum tipo de transtorno para trocarem experiências.

Posso ter escrito um bando de asneiras e até mesmo parecer que estou me defendendo dos meus erros que machucam a quem está comigo. E até nestas linhas finais estar me explicando e dando satisfações.

E é proposital, porque em um certo momento, você irá fazer isso, em vez – novamente -, de apenas escutar e ver que o problema não é você.

Related Post

Deixe uma resposta