O Corvo, além do trágico, uma obra!

O Corvo, além do trágico, uma obra!

Sou um ultra fã de quadrinhos. E principalmente dos independentes. E esta HQ eu conheci lofo após assistir ao filme O Corvo, estrelado por Brandon Lee. Portanto, senta aí que lá vai uma dica de filme, quadrinho e muita curiosidade nerd do Malinha!

James O’Barr (1960) é um quadrinista norte-americano. Quando sua noiva morreu atropelada por um motorista embriagado, ele buscou superar o luto através da arte e foi daí que surgiu a inspiração para O Corvo, publicado originalmente de forma independente em 1981, e hoje um clássico dos quadrinhos, com mais de 750 mil exemplares vendidos em todo o mundo desde então. Anos depois, na década de 1990, esta trágica história criada por James virou filme através do diretor Alex Proyas.

O Corvo trazia como protagonista, o ator Brandon Lee, filho da lenda das artes marciais e do cinema, Bruce Lee. Esse não foi o primeiro papel do ator, mas sem dúvida foi o que iria transformá-lo em astro.

Muitos atribuem o sucesso de O Corvo ao falecimento do ator. Mas não, tanto o quadrinho, como o filme, são fenomenais.

Dizem que as melhores obras são as que tratam do trágico, sejam elas do teatro ou da literatura. Pois bem, parece que O Corvo se encaixa nessa categoria.

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A história do filme

Na noite antes de seu casamento, o músico Eric Draven e sua noiva são brutalmente assassinados por membros de uma gangue violenta do centro da cidade. No aniversário da sua morte, Eric sai de sua sepultura e assume o manto gótico do Corvo, um vingador sobrenatural, rastreando os bandidos responsáveis pelo crime que os assassinaram impiedosamente. Eric finalmente confronta o líder gangster Top Dollar para completar sua missão macabra.

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Por essa sinopse, a trama do filme parece mais uma história clichê de super herói melancólico. Bem, não é!

Aqui somos apresentados a um personagem que vai além da tristeza. Ele é a perda em si. Uma pessoa que perdeu completamente tudo que tinha, até mesmo a sua vida. Ele volta do reino dos mortos, pois seu ódio por aqueles que mataram sua amada e a ele, era maior que os desígnios da Morte.

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Eric, em sua jornada de vingança, relembra através do toque nos objetos que pertenceram a ele e a Shelly, o quanto o amor entre eles não era apenas grande, mas simples, pois era isso o que ela sempre dizia a ele: o amor está nas coisas mais simples.

Os objetos não eram o importante, mas traziam os momentos vividos pelos dois. Uma comida queimada que terminava em sorriso, e não em uma bronca, pois alguém esqueceu a panela por tempo demais no fogo. Aquele passeio no parque sem motivo e tantas outras passagens que tiveram.

Isso envolto em uma fotografia que jamais mostra a luz, apenas a noite e sua interminável chuva sob a batida forte de uma trilha sonora Dark.

Mas Eric não é apenas um homem que voltou dos mortos com sede de vingança. Em sua jornada ele terá, mesmo que não queira, outras almas para salvar, como da mãe de sua pequena amiga.

E aqui está uma das melhores – entre tantas outras -, frases do filme:

“Mãe é o nome de Deus na língua das crianças.”

Ele diz isso a ela após a pegar com um dos seus assassinos, enquanto usavam droga. Ele a leva até o espelho, a força a se olhar, segura seu braço enquanto a droga sai. É uma cena forte e nos lembra de nossas responsabilidades perante aqueles que dependem de nós.

O Corvo não é apenas uma história de alguém que perdeu brutalmente sua amada. É sobre tudo o que nos é retirado. É sobre nossa vida que é arrancada sem motivos.

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Mark Dacascos como Eric Draven, na série The Crow Stairway to Heaven, de 1998 a 1999. Teve 22 episódios, com apenas uma temporada.

O filme teve outras continuações, com outras histórias e atores, mas nenhum deles se compara ao primeiro com Brandon Lee. Além dos cinemas, O Corvo ganhou um seriado com Mark Dacascos no papel de Eric.

A Morte de Brandon

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Uma das cenas rodadas para o filme requeria que uma arma fosse carregada, engatilhada e apontada para a câmera mas, por causa da curta distância do take, a munição carregada era de verdade, porém sem pólvora. Após a realização desta cena, o assistente do armeiro (não o armeiro, que já havia deixado o set) limpou a arma para retirar as cápsulas, derrubando um dos projéteis no cano. A cena seguinte a ser filmada envolvendo aquela arma era o estupro de Shelly, sendo que a arma foi carregada com festim (que normalmente tem duas ou três vezes mais pólvora do que um projétil normal, para fazer um barulho alto). Brandon entrou no set carregando uma sacola de supermercado contendo um saco de sangue explosivo. No roteiro constava que Funboy deveria atirar em Eric Draven quando ele entrasse na sala, estourando o saco de sangue. O projétil que estava preso no cano foi disparado em Brandon através da sacola que ele carregava, matando-o. A cena nunca foi ao ar e as poucas cenas que faltaram do ator, foram rodadas com um dublê. É fácil saber quais cenas não são o ator. São aquelas em que o personagem aparece de costas, na escuridão, ou seja, aquelas em que não podemos ver o rosto de Eric.

O ator era noivo e iria se casar após as filmagens. Morreu aos 28 anos.

A ÚLTIMA ENTREVISTA DO ATOR

“Por não saber quando morreremos, pensamos na vida como um “inexaustivo” bem. Porém tudo acontece apenas um certo número de vezes, e na verdade é um número bem pequeno. Quantas vezes mais você relembrará uma certa tarde da sua infância, uma tarde que é uma parte tão profunda de seu ser, que é impossível conceber a sua vida sem ela? Talvez mais quatro, ou cinco vezes? Talvez nem isso. Quantas vezes mais você vai assistir o nascer da lua cheia? Talvez vinte. E ainda assim, tudo parece tão ilimitado…”

O quadrinho

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Uma aliança, uma comemoração em uma tarde de outubro, uma estrada suja, um carro quebrado, chuva, tiros, morte e gritos… muitos gritos. Um ano depois de testemunhar a morte do amor de sua vida… Um ano depois de sentir as garras da morte levando sua alma… Eric Draven tem a chance de voltar ao nosso mundo e clamar vingança contra os homens que tomaram, de forma violenta, não apenas a sua vida, mas a razão de sua própria existência. Nem morto e nem vivo, Eric vaga por uma Detroit dominada pelo terror e pela violência, dividido entre a sede de vingança e as lembranças de um amor que não pode ser esquecido.

 

Muitos comparam a obra original, nesse caso o quadrinho, com o filme. Não tem comparativo.

As duas são obras totalmente espetaculares. Os dois Eric são iguais na parte de seus diálogos irônicos e frases que dizem quando conversam com seus assassinos.

A diferença fica para o Corvo que os acompanha. Nos quadrinhos o pássaro em muitas partes conversa com Eric. Já no filme, ele tem a única missão de servir como “olhos” do personagem.

De qualquer forma se ele conversa ou só serve de olhos, tanto faz. Porque o que realmente importa é a história!

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